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Mulheres espetaculares: Gilma Mendes conta sua experiência como ciclista de mountain bike

21 outubro 2016 400 views 0 Comentários

A ciclista na categoria mountain bike é atual integrante do grupo Divas do Pedal e aponta as vantagens do esporte para a saúde e, principalmente, a inserção das mulheres nesta modalidade esportiva

Entrevista feita por Daniel Cristian

21 de setembro de 2016

Aos 30 anos e há três atuando brilhantemente como advogada na cidade de Porteirinha e região norte-mineira, Gilma Mendes Silva de Almeida é hoje mais que uma profissional chave do judiciário. Tem se revelado como uma amante do ciclismo de trilha sobre duas rodas. O esporte do ciclismo mountain bike vem crescendo muito nos últimos anos em todo o país e, cada vez mais, as mulheres quebram os tabus do preconceito e encaram o esporte sobre duas rodas. “Este esporte surgiu como uma oportunidade ímpar de associar uma prática que gosto de realizar, o pedal, e a importância de inserções do público feminino em esportes radicais, outrora pensadas, preconceituosamente, como sendo um esporte somente para homens”, sustenta. Com tanta familiaridade com esse assunto, a história em relação ao esporte, um breve panorama das provas ciclísticas já realizadas, as dificuldades inerentes ao próprio esporte e ao fato de ser mulher nesse meio estão expostas nesta entrevista, destinadas ao público como dicas para quem tem interesse em começar a treinar essa modalidade de ciclismo.

DANIEL – Como é essa modalidade que você pratica e como sente essa demanda de mulheres crescente dentro do ciclismo?

GILMA – Então, eu não me considero uma ciclista competidora. Não pedalo com finalidades lucrativas de faturar primeiro ou segundo lugar ou com o intuito de ganhar prêmios. O pedal em minha vida é uma diversão, mas, ao mesmo tempo, sempre procurando superar os meus próprios limites. É um esporte que requer certa habilidade e muito preparo físico, respiração, postura, para que não tragam consequências desagradáveis e até problemas de saúde depois. Acredito que a sensação de liberdade e ao mesmo a prática do exercício físico é o motivo de tantas mulheres estarem adeptas do pedal. Nem todo mundo sente bem numa academia, e no pedal, como eu já disse, além da sensação de liberdade que sentimos, conhecemos lugares maravilhosos e vou te contar uma coisa que muitas mulheres adoram: emagrece muito rápido! (risos)

DANIEL – Quando se trata de ciclismo de mountain bike, qual o tipo de “bike” ideal?

GILMA – Há bicicletas específicas para cada tipo de esporte. Mas não necessariamente você precisa ter mais de uma bicicleta para praticar mais de um tipo de pedal. Para o mountain bike é indispensável que a bicicleta esteja equipada com uma boa suspensão para amortecer os impactos e uma relação de marchas confiáveis. E o mais importante é que a bicicleta tenha o tamanho ideal para o ciclista. Costumo dizer que a bicicleta funciona como uma peça de roupa: tem que ser o tamanho certo. Pedalar em uma bicicleta que não foi montada para você, com certeza te trará muito desconforto e irá interferir no seu desenvolvimento durante o percurso.

DANIEL – Você destaca que o ciclismo requer certa habilidade e, principalmente, um constante preparo físico, mas, essa modalidade também requer tempo, o que em sua profissão raramente se tem. Afinal, você decidiu fazer o ciclismo de trilha e não outro esporte por um motivo específico?

GILMA – Eu iniciei o pedal há uns três anos. Devido alguns problemas que possuo no joelho, eu não consigo realizar esportes como corridas, caminhadas, etc. Então eu iniciei o pedal. Comecei pedalando pelas ruas da cidade, fui aumentando os quilômetros e hoje pedalo tranquilamente 60 a 100 km. O tempo ainda não é muito meu parceiro, durante a semana é praticamente impossível eu pedalar, mas nos finais de semana eu não abro mão, sempre saio aos sábados à tarde e domingo pela manhã.

DANIEL – Quais os cuidados com equipamentos e segurança que faz toda a diferença na pratica esportiva?

GILMA – Para o ciclista o capacete, a luva e as roupas adequadas são indispensáveis. Para a bicicleta temos que ter câmaras de ar reserva ou remendo, uma bomba, e se for pedal a noite as luzes sinalizadoras.

DANIEL – Dentro do ciclismo tem alguma dificuldade que até hoje é um obstáculo para você?

GILMA – Não. Não vejo nenhum obstáculo. Acredito que, como mencionei no início, por eu não pedalar visando premiações, não cobro muito de mim mesma. Sigo meu ritmo. Tenho um desempenho conforme meu condicionamento físico.

DANIEL – Além dessas dificuldades físicas, você acredita existir uma dificuldade mais especifica por você ser mulher dentro desse esporte, ou você nunca sentiu nada disso?

GILMA – Não. Todas as competições dessa modalidade são separadas para cada sexo. Então temos algumas regalias comparadas as competições masculinas, tipo um percurso menor que os homens, grau de dificuldade menor, etc.

DANIEL – Tirando as dificuldades, quais são as maiores belezas e benefícios que você vê dentro desse esporte para a sua vida?

GILMA – Ah são inúmeros! As belezas dependem dos lugares que vamos, mas com o pedal tudo se torna mais belo. Os benefícios vão desde a melhora no condicionamento físico até o anti-estresse. Mas também, para mim, tenho um ponto desfavorável, emagreço muito no pedal, e como já tenho pouco peso, 56kg, tenho que diminuir o ritmo e aumentar na comida, se não fico muito magra. Sempre que pedalo tenho que aumentar nos carboidratos.

DANIEL – Existem hoje no município ou região associações ciclista feminina. Você participa?

GILMA – Associação legalmente constituída eu não tenho conhecimento. Mas há muitos grupos formados. Aqui em Porteirinha eu participo do “Divas do Pedal”, temos o grupo de WhatsApp e no Facebook e por lá marcamos os encontros e destinos e interagimos com outras ciclistas da região

DANIEL – Como você enxerga o cenário de mountain bike para mulheres no Brasil. Conhece alguma competição e já participou?

GILMA – O cenário é muito favorável às mulheres, pois estamos em um período que temos muitas adeptas deste esporte em todo Brasil e todas são muito companheiras, sempre temos iniciantes e é dado total apoio desde o início até quando já estão desenvolvidas. Quanto as competições, aqui na minha região temos bastante. Específica para mulheres posso citar uma que já virou tradição em Montes Claros, que é o evento “Elas de bike” destinado especialmente ao sexo feminino.

DANIEL – O que você tem a falar de provas de competição na cidade e na região voltadas a modalidade?

GILMA – Já tivemos a maratona da Mumbuca. Tivemos o MTB em Serranópolis de Minas. Passeio organizado pelas Divas do Pedal. MTB em Monte Azul, Espinosa. Sempre temos eventos. São eventos locais, mas atrai os adeptos de toda região.

DANIEL – Quais os cuidados com equipamentos e segurança que faz toda a diferença na pratica esportiva?

GILMA – Com certeza os equipamentos pessoais, como já mencionei capacete, luvas e roupas adequadas e os da bike (cuidados com o pneu, marchas e suspensões)

DANIEL – Qual conselho fundamental você daria as mulheres que desejam se inserir nesse mundo da mountain bike?

GILMA – Comecem! Se tem vontade de pedalar, podem começar que vocês são capazes. Mas aviso uma coisa: vicia viu (risos).

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