Home » Cultura

Começa a Tradicional Festa do Divino de Paciência

3 julho 2017 456 views 0 Comentários

A 49ª Tradicional Festa do Divino Espírito Santo de Paciência começou na última sexta-feira, dia 30 de junho, e segue até o dia 9 de julho. Conhecida como “a mais bela festa religiosa da região”, a Festa do Divino em Paciência é, segundo a Diretoria Municipal de Cultura de Porteirinha, uma celebração de caráter essencialmente religioso na qual se envolve a população de religião católica do distrito e antigos moradores que retornam ao povoado na época da celebração. Na programação estão alvoradas, celebrações religiosas, apresentações folclóricas e culturais, cavalgada, leilões, Folia de Reis, hasteamento e descida da bandeira, além de shows musicais. A festa, cuja festeira este ano é a senhora Geralda Vieira, é registrada como Patrimônio Imaterial do Município por meio do decreto nº 1.131 de 7 de dezembro de 2015. Paralela aos festejos no Distrito, acontece também até o dia 5 de julho, no Museu Casa da Memória, a 1ª Mostra da Festa do Divino Espírito Santo de Paciência, onde estão reunidos diversos materiais e símbolos que retratam a festa e sua história.

19366052_1081795765253354_8181915727181220231_n 19598625_1095428090556788_2444927916930803122_n 19642437_1095425950557002_5221121941848579688_n

19366365_1085986258167638_7684804080530910325_n

 

SAIBA MAIS SOBRE A HISTÓRIA DA FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO DE PACIÊNCIA

A Festa do Divino Espírito Santo teve origem no antigo Distrito de São José do Gorutuba, que deu origem ao município de Porteirinha e a vários outros da região. Este era um antigo distrito que deu origem a vários povoados e cidades do norte de Minas, que pertencia à Porteirinha desde a divisão administrativa do ano de 1938. A Festa do Divino Espírito Santo era realizada com muito fervor no antigo povoado.

Com a construção da Barragem do Bico da Pedra na década de 1970, as terras férteis cultivadas pelos habitantes da região às margens do Rio Gorutuba foram inundadas e a maioria das famílias foram desapropriadas e obrigadas a abandonar o lugar pelo DENOCS (Departamento Nacional de Obras Contra as Secas). Embora o território que abrigava a vila de São José não tenha sido alcançado pelas águas da barragem, todas as famílias abandonaram o vilarejo, pois, em meados da década de 1970, a informação oferecida pelo governo militar e pelos engenheiros do DENOCS era de que toda região seria inundada. Com essa informação os moradores, além de se mudarem, derrubaram suas casas, retiraram todas as peças e materiais que poderiam reaproveitar em uma nova residência fora dali. Algumas famílias desapropriadas no Distrito de São José do Gorutuba transferiram-se para o então povoado de Paciência, na zona rural de Porteirinha, no final da década de 1960. De acordo com pesquisa realizada por moradores locais, as famílias que se transferiram nessa ocasião foram:

  • Pedro José Marcelino e Jovelina Augusta da Silva
  • José Mendes de Souza e Laurentina Marcelina Lopes
  • Antônio Alves Neto e Maria Rosa da Silva
  • Marcelino Mendes Barbosa e Messias Maria de Jesus
  • João Antônio Lopes e Angélica Marcelina Lopes
  • Domingos Antônio Lopes e Maria Mendes Araújo
  • Delzíndio Barbosa da Silva e Rita
  • João Francisco e Jacinta Mendes de Araújo
  • Estevão Ferreira da Silva e Flora Izabel das Neves
  • Rogério Borges dos Santos e Anita Borges dos Santos
  • Lucêncio e Altina
  • Melquíades e Geralda Maria de Jesus
  • Jorge Celestino de Brito e Henriqueta Celestina de Brito
  • Miguel Ladeia e Maria Ladeia
  • Rosalino e Ana Rosa de Jesus

Antes, porém, da mudança das famílias de São José do Gorutuba para Paciência, o Sr. Germano Mendes dos Santos, considerado um dos pioneiros no desenvolvimento do povoado de Paciência, fez a doação de um terreno para a construção da Igreja, no ano de 1965. O Sr. Germano era casado com a Sra. Delcídia Maria de Jesus e fixou residência em Paciência, depois de morar no povoado de Mocambinho. Ele era agricultor e foi o primeiro comerciante de Paciência. De acordo com a tradição oral local, o Sr. Germano foi responsável por dar o nome de “Paciência” ao povoado. O povoamento do local se iniciou com a construção da Igreja, tarefa em que foi auxiliado por um senhor conhecido como “Donério de Dona Aurora”.

A desapropriação das famílias e sua consequente mudança para outras localidades fez com que a tradição da realização da Festa do Divino fosse transposta para outra localidade. Conta-se que os responsáveis por fazer a transposição da celebração foram os senhores João Antônio Lopes e Marcelino Mendes Barbosa, auxiliados pelo citado “Donério de Dona Aurora”.

O Sr. Marcelino Mendes Barbosa nasceu em 13 de agosto de 1912 no povoado de Rochedo, município de Porteirinha, e era filho do Sr. Francisco Antônio da Costa e da Sra. Marcelina Maria de Jesus. Alguns anos após ter se casado com a Sra. Messias Maria de Jesus, passou a morar em São José do Gorutuba. O Sr. Marcelino começou a participar da tradicional Festa do Divino Espírito Santo daquela região onde foi festeiro diversas vezes.

Em 1962, o Sr. Marcelino foi eleito suplente de Juiz de Paz do Distrito de Gorutuba. Em 1966, ele se viu obrigado a mudar daquele distrito devido a construção da Barragem que desapropriou centenas de famílias. Ele se mudou para o distrito de Paciência, onde continuou com a mesma devoção pela Festa do Divino Espírito Santo. Devido à comunidade que já habitava o local não ter conhecimento da festa, o Sr. Marcelino resolveu realizar a 1ª Festa do Divino em 21 de setembro de 1969 com a ajuda de alguns conterrâneos e amigos. E durante 17 anos participou da Festa do Divino. Afastou-se devido à idade e problemas de saúde, falecendo em novembro de 1987.

Já o Sr. João Antônio Lopes nasceu em 3 de outubro de 1900 em Bom Jesus da Lapa. Saiu da Bahia com 3 anos de idade com os pais, Manoel Antônio Lopes e Maria Rosa de Jesus. Casou-se já em São José do Gorutuba com Angélica Marcelina Lopes, com quem teve seis filhos. O Sr. João Lopes era comerciante em São José do Gorutuba e era conhecido na localidade como Promotor de Justiça, apesar de não possuir escolaridade. No ano de 1969 ele se mudou para o povoado de Paciência e neste mesmo ano a sua esposa faleceu. Depois disso, o Sr. João Lopes mudou-se para a sede de Porteirinha e formou uma nova família ao lado da Sra. Margarida. O Sr. João Lopes faleceu no ano de 1987. Não foram encontradas informações a respeito do Sr. “Donério de Dona Aurora”, que também é considerado um dos fundadores da celebração no distrito de Paciência. Porém, de acordo com os relatos orais da comunidade local ele também contribuiu para a realização da Festa do Divino Espírito Santo e para a consolidação dessa manifestação cultural na comunidade de Paciência.

Com relação à realização da Festa do Divino, conta-se que nos anos iniciais ela seguia o mesmo padrão da Festa que era realizada no Distrito de São José do Gorutuba. A Sra. Marlilon Mendes da Conceição, que é uma das organizadoras da Celebração desde o início da década de 1980, contou em entrevista que havia uma novena precedendo a Festa. Já a culminância da Festa era realizada em apenas um dia, no qual se realizava a procissão no período da manhã, uma celebração da Santa Missa, um almoço e depois o Cortejo do Divino, no período da tarde. O Cortejo do Divino, conforme o relato de Dona Lili, era composto pelo Imperador, pela Imperatriz (que deveria ser uma moça virgem) e algumas crianças vestidas de anjos. Naquele período era pároco da Paróquia de São Joaquim, a qual a comunidade de Paciência pertence, o Padre Antônio Gonçalves Rocha, conhecido pela comunidade apenas como Padre Rocha.

Ele e as organizadoras da celebração foram responsáveis por introduzir as mudanças em algumas características da celebração que são mantidas até os dias atuais: aumentaram o número de alegorias no Cortejo do Divino Espírito Santo, introduzindo figuras como os Príncipes e Princesas, passaram a realizar apenas uma procissão, que é o Cortejo, e a Celebração da Santa Missa para encerrar a festividade. Além disso, a Festa de Paciência possui algumas características introduzidas pela comunidade local, que não são provenientes do local de origem da celebração. Dentre elas destaca-se a construção de uma grande fogueira no Adro da Igreja no último dia da Novena, que é acesa no momento do levantamento do Mastro com a Bandeira. Outro momento importante da Celebração é a confraternização realizada entre os organizadores, na segunda-feira que se segue à finalização da Festa do Divino.

De acordo com o relato do Sr. Vanildo Mendes da Costa, a “Batida da Paiada”, como essa confraternização é conhecida, começou como um pequeno momento de “ação de graças” pela realização da Festa, na qual os organizadores se reuniam para compartilhar histórias e se confraternizar pela realização da Festa. Atualmente, a Batida da Paiada tomou proporções que fogem ao controle dos organizadores da Festa do Divino, sendo promovida por outras pessoas que não estão ligadas à celebração e tornou-se um momento de confraternização “profana”, com realização de forró e shows que não possuem ligação com os motivos religiosos que orientam a realização da Festa do Divino.

A Festa do Divino Espírito Santo do distrito de Paciência em Porteirinha/MG é uma celebração de caráter essencialmente religioso na qual se envolve a população de religião católica do distrito e antigos moradores pertencente à Paróquia de São Joaquim, do município de Porteirinha.

Os fiéis são distribuídos e organizados em grupos para a realização da celebração, sendo as principais figuras e grupos: o pároco, os festeiros, os novenários, e os voluntários da comunidade que retornam ao povoado na época da celebração. Sua culminância ocorre geralmente no segundo domingo do mês de julho.

A Festa do Divino Espírito Santo acontece apenas nos espaços da Igreja do Divino Espírito Santo e no grande espaço aberto situado em sua frente, que conforma o Adro da Igreja.

A Igreja do Divino Espírito Santo e o Adro da Igreja são decorados com flores naturais e artificiais, bandeiras, luzes e tecidos. As formas são variadas e dependem da criatividade de quem está organizando a celebração. Para além da ornamentação do espaço, são acrescentadas no Adro da Igreja as mesas de Leilão, onde são dispostas as ofertas (produtos que são leiloados durante a novena) da comunidade local e as mesas onde são vendidas as comidas típicas em alguns dias durante a novena.

Dois meses antes da celebração, inicia-se o Giro da Bandeira, que é uma atividade realizada por um grupo de Foliões do Divino Espírito Santo existente em Paciência. Esse grupo começa os “giros” da Bandeira, percorrendo toda a extensão do município e, além de convidar a todos para a Festa do Divino de Paciência, arrecada doações importantes para a realização da Celebração.

O Giro da Bandeira é considerado uma das principais atividades da Festa. É o que marca a devoção do povo para com o Divino Espírito Santo. Receber os Foliões com a Bandeira do Divino é sinônimo de bênçãos para os devotos do Divino. A Bandeira adentra a residência das pessoas que desejam recebê-la e após cânticos e orações, a família tem a oportunidade de fazer uma oferta, que é direcionada à realização da Festa.

O Giro da Bandeira também é importante porque é o momento onde a comunidade é oficialmente convidada para participar da Festa do Divino.

A Novena é uma atividade tradicionalmente realizada durante a Festa do Divino Espírito Santo. De acordo com relatos orais, antigamente, na comunidade de São José do Gorutuba, na novena do Divino era rezado o terço mariano. Em Paciência, porém, reza-se a Coroa do Divino e, na sequência, realiza-se a celebração da Santa Missa ou Culto da Palavra.

A Coroa do Divino é uma oração rezada como um terço, composta por sete “mistérios” correspondentes aos sete dons. A cada mistério é invocado um dom, então se repete sete vezes a invocação ao Espírito Santo e ao final uma invocação à Maria. Para auxiliar a contagem das invocações, utiliza-se uma corrente com contas vermelhas, parecida com o terço.

A novena do Divino Espírito Santo, no ano de 2015, teve seu início no dia 10 de julho, sexta-feira. A novena foi celebrada durante nove dias seguidos, finalizando no sábado (18 de julho) que antecede à Festa do Divino Espírito Santo (domingo, 19 de julho). Durante a novena, conforme já mencionado, reza-se a Coroa do Divino e logo em seguida realiza-se a celebração da Santa Missa.

Após a Missa, em alguns dias, há a realização do leilão e venda de comidas típicas em barraquinhas. Os leilões são realizados em algumas noites durante a novena. São doadas várias prendas para serem leiloadas entre a comunidade participante. As prendas doadas são chamadas de “leilões” pela comunidade local. A arrecadação dos leilões é de responsabilidade dos novenários.

O levantamento da Bandeira do Divino Espírito Santo é realizado no último dia da novena, dia que antecede a celebração da Festa do Divino Espírito Santo. Após a Coroa do Divino e a celebração da Missa, Festeiros e comunidade se reúnem para fazer o levantamento da Bandeira,  que é levantada no Adro da Igreja assemelha-se a um estandarte e é diferente da Bandeira que percorre as casas junto com os Foliões. Esta Bandeira fica sob os cuidados dos chamados “Mordomos da Bandeira”, pessoas que fazem promessas ao Divino e se oferecem para serem os “guardiões” da bandeira da Festa. Os Mordomos também são Festeiros. Assumem todas as responsabilidades de organização do início da Festa até a Alvorada. Nela o mordomo transfere a responsabilidade (entrega a Festa) aos festeiros. O mordomo tem a grande responsabilidade de conservar intacta em sua residência a Bandeira do Divino, de fazer as devidas orações durante o ano para sustentar a presença do Espírito Santo em seu lar. A família tem um hóspede muito especial, o Espírito, hóspede da alma, durante todo ano. Deve reverenciá-lo e tratá-lo com toda dignidade.

Uma curiosidade interessante é que após levantar o mastro e a Bandeira, algumas pessoas apressaram-se em retirar novamente a Bandeira do Adro da Igreja. De acordo com informações orais de Vanildo Mendes da Costa , em Paciência criou-se o costume (que não existia em São José do Gorutuba) de “roubar” a bandeira após sua exposição.

Mesmo quando acontece o “roubo”, a situação é encarada como uma brincadeira pela comunidade local, pois após o sumiço da Bandeira todos começam a especular quem teria sido o autor do furto. Chega-se mesmo a negociar o “resgate” da Bandeira com os mordomos da Festa. Como a guarda da Bandeira representa a presença das bênçãos do

Divino Espírito Santo, as pessoas interessadas em serem os mordomos do próximo ano se apressaram em retirar a bandeira, antes que ela seja “roubada”. Por isso a Bandeira não permaneceu no Adro da Igreja do Divino Espírito Santo após ter sido colocada no mastro.

As Alvoradas acontecem no primeiro dia da novena e no dia da celebração do Divino Espírito Santo (culminância da Festa). Elas têm início às 5 horas da manhã, com fogos de artifício e repicar do sino da Igreja do Divino Espírito Santo. A comunidade se reúne em frente à Igreja e sai pela principal Avenida da Cidade, a Avenida Gabriel Mendes dos Santos, seguindo um carro de som que toca um CD com musicas das festas do Divino. Na finalização da Alvorada, foi servido o tradicional café com biscoitos de polvilho no Adro da Igreja. Os participantes da Alvorada deram-se as mãos e em um grande círculo, fizeram orações pedindo a proteção do Divino Espírito Santo para a realização da Festa. Em seguida se dispersaram em virtude da chuva.

O Cortejo do Divino Espírito Santo é o ponto alto da Celebração em honra ao Padroeiro da Comunidade Católica de Paciência, distrito de Porteirinha/MG. É realizado no domingo festivo. Dele participa toda a comunidade católica de Paciência e da região.

Atualmente é composto (nesta ordem) pela Cruz, pelo Estandarte do Divino Espírito Santo, Bandeiras com os Sete Dons do Espírito Santo, o Andor do Divino Espírito Santo, os príncipes e princesas, e por último o Imperador e a Imperatriz e os Foliões do Divino.

Após o Cortejo, participa da procissão toda a comunidade. A procissão do Cortejo possui trajeto variado, pois sai da casa do Imperador (e esta figura muda a cada ano). Mas a Procissão percorre a extensão do distrito que é cortada pela Avenida Gabriel Mendes dos Santos (rodovia MG 120), indo no sentido Mocambinho, passando em frente à Igreja do Divino Espírito Santo, fazendo o retorno no ponto mais alto da Avenida e retornando na mesma até a Igreja.

Ao final da celebração da Missa realiza-se a coroação do Imperador do ano seguinte. Finalizando a Festa do Divino Espírito Santo, é realizada uma queima de fogos que é assistida por toda a comunidade presente.

Fonte: Diretoria Municipal de Cultura

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Use Facebook para comentar esta notícia



Deixe um comentario

Coloque o seu comentário abaixo, ou link de volta a partir do seu site. Pode também subscrever estes comentários via RSS.

ANTES DE ESCREVER SEU COMENTÁRIO, LEMBRE-SE: o site PorteirinhaNoticias.com.br nao publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei ou que não tenham relação com o conteúdo da notícia. Seja cordial. De sua opinião com responsabilidade!

Pode usar estas tags:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Este site usa Gravatares. Para obter o seu proprio avatar-globalmente-reconhecido, por favor registe-se em Gravatar.